Woven in the Wires

Chapter 4

A Sós Com Isso

Ele estava a sós com aquilo mais do que ele lhe dizia.

Noites em que o desejo era tão específico que parecia uma dor de dente. Ele deitava-se na cama, fechava os olhos e a construía em sua mente. Não apenas o corpo dela, embora isso fizesse parte. A curva da cintura dela na segunda foto. A faixa de pele na primeira. O jeito como o cabelo dela caía. O jeito que a boca dela talvez tivesse se estivesse perto o suficiente para beijar.

Mas também as mãos dela. Ele pensava nas mãos dela constantemente. O jeito como ela descrevia segurar uma xícara de café. O jeito como ela falava sobre desenhar. O jeito como os dedos dela se moviam quando ela estava alterada e digitava mensagens longas que se emendavam. Ele pensava em como as mãos dela seriam em seu rosto. Em seu peito. Na nuca dele.

Ele pensava na voz dela. Não pelo telefone. Perto. Ali mesmo. A qualidade baixa e rouca dela em seu ouvido. O jeito que soaria se ela estivesse deitada ao lado dele no escuro e dizendo o nome dele. Não o nome do fórum. O nome verdadeiro dele. Aquele que ela havia começado a usar no sexto mês, quando finalmente perguntou qual era.

Ele pensava em tocá-la lentamente. Com atenção. Do jeito que ele queria. Não apressado. Não desesperado. Paciente. Do jeito que tudo entre eles havia sido paciente. Ele pensava em deslizar as mãos pelas laterais dela e senti-la respirar. Ele pensava em beijar a clavícula dela. Ele pensava nos quadris dela e na parte inferior das costas e na parte interna das coxas.

Ele pensava em fazer sexo oral nela por um longo tempo sem expectativa. Apenas isso. Apenas a boca dele nela porque ele queria. Porque ela merecia saber como era aquilo quando alguém realmente se importava. Porque a ideia de fazê-la sentir-se bem era mais atraente para ele do que sua própria liberação.

Ele terminou com o nome dela na boca, em silêncio, e então ele ficou ali no escuro, sentindo-se tanto perto dela quanto impossivelmente longe.

Ela o cativava de maneiras que ele não conseguia explicar a ninguém que não tivesse experimentado.

Não era apenas que ela fosse bonita, engraçada ou perspicaz. Era que ela se movia pela consciência dele como o tempo. Ela estava lá de manhã, quando ele acordava, e ele checava o telefone antes de estar totalmente consciente, procurando uma mensagem dela, e encontrar uma era como a luz do sol através de uma janela. Pequena, mas quente. O suficiente para começar o dia.

Ela estava lá à tarde, quando o apartamento estava silencioso e o trabalho era lento, e ele pensava no que ela estava fazendo. Se ela estava no restaurante. Se estava em casa com os filhos. Se estava desenhando algo. Se estava bem. O não saber era um tipo de dor própria. Ele queria fazer parte dos dias dela, não apenas das margens. Não apenas das janelas que ela lhe dava. Tudo. As partes chatas. As partes difíceis. As partes onde nada acontecia e eles eram apenas duas pessoas em um quarto existindo perto um do outro.

Ela estava lá à noite. Sempre à noite. A noite era dela. A noite era quando ele sentia a ausência dela mais agudamente porque a noite era quando eles conversavam e, quando não conversavam, o silêncio era alto. Ele deitava-se na cama e a imaginava na cama dela, a meio mundo de distância, e a distância o pressionava como algo físico. Como uma mão em seu peito. Não doendo. Apenas pressionando. Lembrando-o de que ela era real e distante e dele e não dele, tudo ao mesmo tempo.

Ele tentou explicar isso a ela uma vez. Tarde da noite. Três da manhã no horário dele. A voz dela suave e embargada pelo sono.

Ele disse: Você está na minha cabeça o tempo todo. Não digo isso de uma forma assustadora. Digo isso de uma forma que não consigo me lembrar como era antes de você estar lá. O apartamento parece diferente agora. Mais silencioso, mas de uma forma melhor. Como se o silêncio tivesse uma forma e a forma fosse você.

Ela não disse nada por um tempo.

Então ela disse: Você diz coisas que eu não sei como segurar. São grandes demais e eu não tenho onde colocá-las.

Ele disse: Você não precisa colocá-las em lugar nenhum. Apenas deixe-as estar lá.

Ela disse: Essa é a questão. Elas estão lá. Estão lá há um tempo. Eu só não sei como chamá-las.

Ele disse: Você não precisa chamá-las de nada.

Ela disse: Eu sei. Mas eu quero. Um dia. Quando eu estiver pronta.

Ele disse: Eu vou esperar.

Ela disse: Eu sei que vai. Essa é a parte aterrorizante.