Chapter 9
Armadilha Dos Elementos
O granito respondeu-lhe.
Não alto. Não com alguma detonação teatral ou queixa mecânica óbvia. Apenas um pequeno e duro deslocamento sob a caixa enquanto ela se acomodava no pedestal, tão leve que ele o sentiu mais nos ossos da mão do que o ouviu com os ouvidos.
Clique.
Ele congelou.
O som não ecoou. Isso piorou a situação. O eco teria significado que o espaço reconhecia o movimento. Isso parecia interno, como se o próprio pedestal tivesse reconhecido uma condição e transmitido esse conhecimento para o resto da sala.
Ele levantou a caixa de volta imediatamente.
Tarde demais.
A pedra moveu-se em algum lugar abaixo dele.
Depois acima.
Depois por toda a parte.
A câmara irrompeu em movimento tão amplo e sem direção que ele não conseguia mapeá-lo. Um ranger reverberou pelo chão, subiu pelos pilares, atravessou a cúpula. Poeira escorreu de fendas bem acima. Uma seção de coluna quebrada ressoou como se atingida por um martelo gigante invisível. Ele girou em círculo completo, a caixa de espécimes apertada em ambas as mãos, procurando o perigo óbvio e encontrando apenas a arquitetura lembrando-se de seu propósito.
Então, tão subitamente, parou.
O silêncio caiu com força suficiente para parecer encenado.
Ele permaneceu ali, respirando com dificuldade, escutando por um segundo movimento que se recusava a vir.
Nada.
Nenhum teto desabando. Nenhuma lâmina ascendente. Nenhuma chuva de dardos. Nenhuma porta de pedra se fechando. Por um estúpido e esperançoso instante de pensamento, ele se perguntou se o mecanismo havia falhado sob a idade e a decadência, se ele de alguma forma havia ativado uma religião morta e se encontrado protegido pelo simples fato de que o tempo já havia destruído seus dentes.
Então algo frio atingiu o dorso de sua mão.
Ele olhou para baixo.
Uma gota de água agarrou-se ao tecido escuro de sua luva.
Outra atingiu seu ombro.
Depois sua bochecha.
Ele ergueu a cabeça.
A cúpula acima dele curvava-se como o interior de uma grande tigela de pedra. Canais cortados em sua superfície, invisíveis a princípio na penumbra, agora brilhavam molhados enquanto o líquido começava a correr por eles em linhas ramificadas. A água acumulou-se em seus pontos mais baixos, inchou e começou a cair em um padrão que se ampliava, centrado quase exatamente no pedestal.
Chuva.
Lá dentro.
"Claro," ele sussurrou, e as palavras saíram ásperas com um entendimento súbito. "Claro, seu idiota."
Todas as velhas histórias de aventura, todos os avisos mortos escondidos na arquitetura, e ele ainda havia colocado a caixa primeiro e pensado depois.
Ele se moveu.
Lento demais.
Os primeiros arcos de eletricidade crepitaram à vida na borda da câmara com um som como insetos presos em vidro. Fios branco-azulados saltaram entre incrustações de metal que ele não havia notado na alvenaria, percorrendo a borda da sala em um halo que se ampliava. Por um instante, ele viu todo o projeto de uma vez: os canais de água acima, o padrão condutor cortado no chão, o pedestal como ponto focal, ele mesmo parado exatamente onde os construtores sempre pretenderam que um ladrão ficasse.
A corrente atingiu a chuva e a chuva tornou-se uma arma.
A luz detonou através da água.
Ele teve tempo para uma única convulsão de terror de corpo inteiro e nada mais. A eletricidade viajou para baixo em veias ramificadas, através de seus ombros, peito, coluna, quadris, joelhos. Não parecia calor a princípio. Parecia uma invasão. Como se cada nervo em seu corpo tivesse sido encontrado simultaneamente e ensinado uma nova definição de dor.
Ele tentou gritar e descobriu que seu corpo não mais lhe pertencia.
A caixa de espécimes voou de suas mãos.
A câmara desapareceu em branco.
A escuridão veio depois, mas não como ausência.
Primeiro, calor.
Depois, fedor.
Depois, a sugestão densa e terrível de seu próprio corpo continuando sem sua permissão.
O tempo se partiu.
Ele emergiu dela em fragmentos.
Pedra sob um ombro. Um vazio zumbindo onde deveria haver audição. O gosto de cobre e tecido queimado em sua boca. Uma pesadez dormente nos membros que o assustava mais do que a dor o faria, porque a dormência implicava danos além do grito.
Ele rolou sobre um cotovelo e quase desmaiou novamente.
A câmara havia ficado escura e imóvel. Sem chuva agora. Sem arcos. Apenas o cheiro persistente de ozônio, tecido queimado e poeira cozida. Suas roupas fumegavam levemente em alguns lugares. Uma luva havia queimado quase completamente, deixando pedaços enegrecidos agarrados ao seu pulso.
A dor havia se instalado muito profunda e uniforme para pertencer a minutos. Horas, então. Talvez mais.
Ele olhou para a mão.
Prata jazia sobre ela.
Não sobre ela. Através dela.
Filamentos teciam a pele dos nós dos dedos ao antebraço, finos como pelos de metal e brilhantes mesmo na pouca luz, como se o golpe tivesse trazido algo escondido dentro dele mais perto da superfície ou o tivesse martelado ali à força. Ele encarou, incapaz por um momento de conciliar a visão com a memória de carne comum.
Nenhum sangue fluía de onde a pele havia se partido.
A prata ocupava a ferida de forma muito completa.
Seu estômago revirou.
Ele verificou o resto de si mesmo em movimentos bruscos e práticos. Capuz ainda ali, carbonizado nas bordas. Máscara rachada, mas intacta dentro da mochila onde a guardara. Camadas externas arruinadas, chamuscadas e rasgadas em trilhas ramificadas por onde a corrente havia passado. A pele por baixo mapeada com queimaduras, bolhas e aqueles mesmos filamentos pálidos aparecendo onde quer que o dano fosse mais profundo.
Ele deveria estar morto.
Esse pensamento chegou com perfeita simplicidade e ali se alojou.
Ele deveria estar morto.
Em vez disso, ele estava respirando, tremendo, e cada vez mais certo de que permanecer nesta câmara era uma excelente maneira de corrigir o erro.
Ele se pôs de pé na segunda tentativa. A primeira terminou com suas pernas falhando e a sala inclinando-se demais para a esquerda para que ele pudesse ficar de pé. Na segunda, ele usou o pedestal como alavanca, odiando o toque dele e precisando dele de qualquer maneira.
A caixa de espécimes jazia de lado perto da base de um pilar, de alguma forma intacta.
Ele quase a deixou.
Então, treinamento, ganância, obediência, medo de voltar de mãos vazias, todos os velhos e maus instintos que mantinham as pessoas vivas apenas o tempo suficiente para se arrependerem, o impulsionaram a se mover. Ele a pegou, enfiou-a na mochila com menos cuidado do que o objeto merecia, e cambaleou em direção à rota que ele pensava ter usado para descer.
Pensamento.
Esse era o problema.
A câmara não parecia mais certa.
Não mudada, precisamente. Sua memória dela havia se tornado vaga nas bordas. Ele sabia que havia descido de uma saliência. Ele sabia que havia degraus quebrados. Ele sabia que o chão da câmara se abria em um amplo oval ao redor do pedestal. No entanto, quando ele se virou, cada rota parecia igualmente errada. O golpe não o havia apenas ferido. Havia arrastado uma mão suja pela organização de seus pensamentos recentes.
Ele respirou uma, duas vezes, forçando o pânico a assumir formas menores.
Escolher altura. Sombras. Cobertura. Recuperar a rota de cima.
Isso, pelo menos, era lógica familiar.
Ele se moveu em direção à elevação mais próxima na pedra quebrada, usando bases de pilares e blocos desabados para ganhar elevação. Cada articulação reclamava. Mais de uma vez sua mão escorregou onde cinzas e umidade tornavam as superfícies traiçoeiras. A prata em sua pele parecia quase apertar quando ele se esticava demais, não ajudando exatamente, mas o mantendo unido com uma intimidade que ele achava revoltante.
No meio de uma prateleira fraturada, ele parou abruptamente.
Luz.
Não elétrica. Não refletida. Um feixe quente e tremeluzente cortou brevemente o lábio distante da câmara e desapareceu.
Luz de tocha.
Vozes seguiram, baixas e indistintas a princípio, moldadas pela distância e pela pedra. Vozes humanas. Mais de uma. Ele ainda não conseguia distinguir palavras, apenas o tom: alerta, incerto, empurrando o medo com a conversa.
Há quanto tempo ele estava inconsciente?
Ele se achatou na sombra de uma parede superior quebrada, com a respiração suspensa, cada instinto sobrevivente voltando dolorosamente ao lugar. A outra expedição. Tinha que ser. Os três da costa, a menos que as ruínas tivessem se tornado ainda mais generosas com visitantes enquanto ele estava inconsciente.
Seus olhos baixaram mais uma vez para a prata que atravessava o dorso de sua mão.
Ela captou a luz fraca e pareceu, pelo mais breve instante, respondê-la.
Ele fechou a mão em punho.
Sem tempo para isso. Não agora.
As vozes ficaram mais claras. Mais perto.
Ele subiu os últimos metros na escuridão e esperou que estranhos entrassem na sala onde ele havia deixado, por qualquer padrão normal, de ser humano.