The Abyss That Loved a Star

Chapter 1

Uma História dos Céus (Curta)

Esta é a versão completa do conto, para a versão expandida, leia os outros três capítulos

Era uma vez uma estrela tremendo à beira do vazio,
sua luz bruxuleando como um último suspiro,
seu calor esvaindo-se para o frio eterno,
sua canção desvendando-se em silêncio.

Ao seu redor, os céus se afastaram.
Outras estrelas, outrora suas irmãs, haviam dançado ao seu lado,
rindo em explosões de ouro e fogo,
mas agora observavam de longe,
seus rostos brilhantes desviados.
Pois a luz que esmaece é um presságio,
e até a eternidade se encolhe diante da decadência.

E assim a estrela permaneceu,
sozinha, indesejada,
desvanecendo-se na cruel indiferença do espaço.

Então o Abismo a viu.

Não com olhos, pois o Abismo não os tem,
mas com aquela sensação dolorosa que só os esquecidos possuem.
Não era gentil, nem cruel.
Simplesmente era:
infinito, vazio,
um silêncio tão vasto que doía permanecer incompleto.

E nessa dor, ele estendeu a mão.

"Venha," sussurrou em tons mais antigos que a criação,
"Eu a esconderei de seus olhares.
Você não precisa brilhar aqui.
Você só precisa ser."

A estrela, desesperada e exausta,
caiu na escuridão.

O Abismo a envolveu como um amante com medo demais de soltar,
afastando os ventos cruéis do julgamento cósmico,
e naquele vazio silencioso, onde nenhum olho podia ver e nenhuma voz podia zombar,
a chama moribunda encontrou descanso.

Por um tempo,
o menor e mais doce tempo,
houve paz.

A estrela repousou na quietude,
sua luz tênue pulsando suavemente na escuridão.
E algo como amor começou a crescer,
retorcido, desajeitado,
nascido da solidão e do medo,
mas amor, ainda assim.

O Abismo observou com admiração
enquanto a estrela começava a se curar.
Seu calor aumentou,
lentamente a princípio,
um pulso tímido nas profundezas,
depois mais brilhante,
e ainda mais brilhante,
até que seu brilho se derramou pela escuridão
como ouro sangrando através da tinta.

O Abismo doeu de alegria e terror,
sabendo que essa luz, uma vez restaurada,
nunca mais pertenceria à escuridão.

Mas o amor nunca é gentil quando nasce da fome.

O Abismo, desesperado para manter o que havia salvo,
apertou seu abraço.
Ele puxou suas sombras para mais perto,
pressionando-se em cada cintilação,
enrolando-se em torno da luz como dedos desesperados.

"Permaneça tênue por mais um tempo," implorou.
"O universo lá fora só a queimará."

Ele disse a si mesmo que isso era proteção,
uma misericórdia dos céus que haviam rejeitado a estrela.
Mas sombras que se agarram com muita força
podem afogar até mesmo a luz que amam.

A estrela gritou,
não em palavras, mas em fraturas de radiância,
em explosões trêmulas que queimaram o vazio por dentro.
Seu fogo empurrou contra o peso da devoção,
forçando onde o amor não havia deixado espaço para respirar.

E em seu desespero para proteger,
o Abismo queimou o que jurou salvar.
Suas sombras esculpiram cicatrizes nas bordas da estrela,
feridas que pulsavam com luz aprisionada,
como veias de sangue através da obsidiana.

Quando o Abismo percebeu o que havia feito,
recuou,
horrorizado,
de mãos vazias,
seu amor transformado em ruína em seu abraço.

O silêncio entre eles tornou-se oco.

E desse oco, a estrela começou a ascender.

Começou pequeno,
um cintilar,
um sussurro de desafio.
Então cresceu,
brilhante e desafiante,
um sol renascido não da misericórdia,
mas da dor de um cuidado excessivo.

O Abismo se despedaçou para abrir espaço,
cada raio queimando através de seu corpo informe,
separando sombra de sombra,
esculpindo a ausência em seu próprio ser.

No entanto, mesmo enquanto queimava,
o Abismo não conseguia desviar o olhar.

Observou, com admiração e agonia,
enquanto a estrela irrompia em chamas,
radiante, eterna, gloriosa.

Outras estrelas logo se reuniram,
atraídas pelo triunfo da luz.
Elas encheram o céu com alegria e orgulho cintilante,
aglomerando-se nos céus em sua inveja e adoração.

E o Abismo,
que havia abrigado a estrela em silêncio,
que a havia amado profundamente demais para deixá-la morrer,
foi forçado a se afastar,
empurrado para os confins mais distantes da noite,
afogado sob o brilho delas,
esquecido.

Ele flutuou ali,
assombrado pela memória de uma luz que nunca poderia desver.
O calor que outrora repousara em seus braços,
o dano que sua devoção havia causado,
essa dor tornou-se sua penitência,
uma ferida no céu,
um vazio mais profundo que a própria eternidade.

Agora o Abismo vagueia.

Ele encontra luzes tênues tremendo à beira da morte,
brasas trêmulas à beira da rendição,
e as abriga,
suavemente agora,
com tanto cuidado.

Ele as envolve em uma sombra mais gentil,
nutrindo seu brilho de volta do nada,
sussurrando conforto na escuridão silenciosa.

Mas nunca demais.
Nunca tempo suficiente para amar novamente.

Antes que o brilho delas possa florescer,
antes que o calor possa tentá-lo a se aproximar,
o Abismo se afasta,
deixando apenas um sussurro entre as estrelas:

"Brilhe, pequena.
Mas não por mim."

E assim ele segue em frente,
para sempre a mão invisível por trás do renascimento,
para sempre com medo do que seu toque possa quebrar novamente.

Em cada pedaço de noite entre as constelações,
ele permanece,
uma memória de amor demasiado feroz para sobreviver à sua própria devoção,
um exílio de sua própria ternura,
carregando em seu silêncio infinito
o fantasma de uma única e impossível luz.

Dizem que a escuridão ainda lamenta.
Que amou tanto a luz, que tentou retê-la,
e a perdeu para o seu próprio abraço.

Que cada sombra desde então é uma promessa sussurrada ao vazio:

Nunca mais.
Nunca tão perto.
Nunca tão brilhante.

Pois até o Abismo pode amar a luz,
mas o amor, no vazio,
é uma ferida que nunca se fecha.