Chapter 4
Resplendor
Ficaram ali deitados por muito tempo. O sol já havia se posto e o céu estava num roxo profundo, as estrelas começando a aparecer. As ondas continuavam seu ritmo. Ele ainda estava dentro dela, amolecendo, e nenhum dos dois se moveu para se separar.
Ele beijou a nuca dela. Suavemente. Reverentemente. Seu cabelo castanho roçou o ombro dela, macio e úmido.
"Sinto muito," ele disse.
"Pelo quê?"
"Por ter esperado tanto tempo."
Ela se virou nos braços dele até encará-lo. Ela tocou o rosto dele, traçou a cicatriz, as linhas ao redor dos olhos, afastou o cabelo castanho úmido da testa dele com uma ternura que fez o peito dele doer.
"Não sinta muito," ela disse. "Você está aqui agora."
Ele a segurou contra o peito, e ela podia ouvir o batimento cardíaco dele, rápido a princípio, depois desacelerando, firmando, e ela encostou o ouvido no som e deixou que a embalasse.
"Fica," ela disse.
Era uma palavra, mas continha tudo. Fica esta noite. Fica amanhã. Fica em meio à exaustão, à desconfiança e aos estragos. Fica apesar da diferença de idade e da diferença cultural e das mil razões pelas quais não deveria funcionar. Fica porque a alternativa é voltar a ser o homem que desvia o olhar, e ela não o deixaria voltar a isso. Não agora.
"Eu fico," ele disse.
Ela fechou os olhos. As estrelas se multiplicavam acima deles. O mar sussurrava sua antiga linguagem contra a areia, e duas pessoas que estiveram sozinhas por muito, muito tempo jaziam emaranhadas numa manta que cheirava a sal e sexo e algo novo, algo que ainda não tinha nome, mas que ambos reconheciam, da mesma forma que se reconhece um lugar onde nunca se esteve, mas de alguma forma se lembra.
A mão dele moveu-se lentamente para cima e para baixo pela espinha dela.
A respiração dela se aprofundou.
A noite os abraçou, e eles não se soltaram.