Elegy Of Light And Shadow

Chapter 1

Tenebrae

O sol é uma coisa exigente. Ele se derrama pelas tábuas do chão e encontra a poeira que nos escapou. Ele pede olhos abertos e colunas eretas. Ele espera que a chaleira ferva e que os lábios se curvem. Cansou-me tanto a curva.

Há um país mais profundo para lá da borda da tarde. É um lugar onde a luz não consegue esticar seus dedos ardentes. O ar lá é denso e fresco como água de rio em novembro. Ele enche os pulmões com um silêncio pesado. Neste país, não é preciso carregar o rosto. Podes deixá-lo à porta com os teus sapatos e o teu nome.

A dor é um cobertor tecido com fio cinzento. É pesado sobre os ombros, mas afasta os calafrios. Nesta concavidade tranquila, as coisas quebradas não são varridas. As cadeiras vazias podem permanecer vazias. O silêncio não é uma ausência, mas uma presença que se senta ao teu lado e ocupa a quantidade exata de espaço.

Uma vez, tentei voltar aos campos luminosos. O céu era demasiado vasto e os pássaros, demasiado ruidosos. A manhã expunha as partes ocas do peito. Todos lá estavam ocupados a construir, a crescer e a dar as mãos. Eles não entendiam que os alicerces tinham desaparecido.

Então, voltei aos lugares baixos. A adega da respiração. O vale tranquilo onde as árvores esquecem de florescer. Aqui, o solo é negro e rico com as coisas que entregamos. Ele as segura com gentileza. Ele conhece o peso do que falta.

É mais fácil respirar quando o céu desce para encontrar a terra. É mais fácil descansar quando as cores desvanecem para cinza e ardósia. A dor não te pede nada. Ela só pede para ficar. E, ao ficar, é a única verdadeira companhia que resta.