Chapter 1
A Dor Final
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The Final Sorrow
Chegou uma hora em que a escuridão se lembrou de si mesma.
Ela havia assumido a forma de um homem por mais tempo do que deveria, havia ficado perto demais da lareira, havia permitido que o calor a convencesse de que pertencia ao mundo dos vivos. Mas a escuridão sempre teve sua morada em outro lugar, mais profundo que as raízes das montanhas, mais longe do que o alcance de qualquer lâmpada.
Ninguém desejava vê-la partir. Assim são as coisas. Nunca desejamos ver o anoitecer devolver-se à terra, mas a terra é paciente e a terra é velha, e o que ela emprestou, ela irá reaver.
Então a escuridão recolheu o que podia levar de seu próprio silêncio e se voltou para o lugar onde a luz nunca esteve. Ela não olhou para trás. A escuridão não tem olhos para tais coisas. Ela apenas se moveu, da mesma forma que a água se move quando se lembra do mar, lenta e segura e sem queixas.
O cômodo que ela deixou para trás esfriou da forma mais suave, da mesma forma que uma capela esfria depois que a última oração foi proferida e a congregação passou pela porta. Não vazia, exatamente. Mas santificada pela ausência.
Se você ficar ali tempo suficiente, poderá ouvir algo. Não uma voz. Não um adeus. Apenas o som de uma sombra se acomodando de volta à terra, retornando ao país de onde foi breve e involuntariamente chamada.
Ninguém pede à escuridão para falar antes de partir. A escuridão nunca foi destinada às palavras.